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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Queridos alunos da 8@C

   Vocês já sabem escrever o texto mais difícil que é composto em versos. Texto narrativo é mais fácil, pois estamos a todo momento ouvindo e escrevendo histórias, historietas e breves "causos". Por isso mesmo um alerta: não deixem de exercitar poema, escrever é um exercício constante de leitura, observação, educação de amor e de olhar o mundo à nossa volta.
   Observem que lindos os poemas a seguir:

As nuvens e as infâncias - José Augusto G. de Almeida


“Olha aquela, é um avião”.
“Estou vendo uma flecha”.
“Uma carroça”.
Era assim que passávamos horas e horas nos divertindo com as nuvens, que,
para todas as crianças daquela época não eram nuvens,
eram animais, objetos dos mais diversos, todos os que podíamos imaginar
Do que elas eram feitas?
Tal curiosidade não era o suficiente para tirar nossas atenções.

Vislumbrávamos mais um macaco que acabara de se formar, minutos antes a mesma nuvem
era um elefante, ou uma elefanta? Nossa meninice se enveredava pelos ares todas as vezes que chegávamos da escola primária, nosso passa tempo predileto,
tirando os brinquedos que criávamos e os esmerilávamos nas ruas de chão
do bairro pobre da cidade.

Ah, aquilo sim era infância!
Agora, somos homens crescidos, cada um seguiu um rumo diferente.
Continuo a ver “coisas” nas nuvens.

Infelizmente meus filhos não conseguem, para eles, as nuvens são nuvens, apenas nuvens.



Ana e o Pernilongo - José Paulo Paes 

                                                     1

Toda semana
eu me lembro da Ana
Para mim não há semANA
sem Ana.
.
2
Havia um pernilongo
chamado Lino
que tocava violino.
Mas era tão pequenino
o Lino
e tocava tão fino
o seu violino,
que nunca ouvi o Lino
nem vi o Lino. 
 

Patacoada - José Paulo Paes 

A pata empata a pata
porque cada pata
tem um par de patas
e um par de patas
um par de pares de patas.
.
Agora, se se engata
pata a pata cada pata
de um par de pares de patas,
a coisa nunca mais desata
e fica mais chata
do que pata de pata. 
 

Canção de Dulce - Cecília Meireles 

Dulce, doce Dulce,
menina do campo,
de olhos verdes de água
de água e pirilampo.
Doce Dulce, doce
dócil, estendendo
pelo sol lençóis
entre anil e vento.
Dócil, doce Dulce
de face vermelha,
doce rosa airosa
a fugir da abelha,
da abelha, de vespas
e besouros tontos,
pelo arroio de ouro
de seixos redondos...
 
Observaram que lindos os poemas recheados de poesia?
Vamos lá, inventem, criem, leiam e escrevem poesias. 


Um comentário:

  1. Caríssima professora. Sinto-me lisonjeado ao ver meu texto postado no mesmo espaço de tantos escritores renomados.
    De fato, escrever não pode ser um ato obrigatório de sala de aula, mas sim um exercício diário para nossos pensamentos e emoções.
    Abraço fraterno.
    José Augusto G. de Almeida

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